Uma comédia, um luto e uma lenda
Três romances portugueses em registos opostos: a comédia de Filipa Fonseca Silva, o luto de Tânia Ganho e a lenda da padeira de Aljubarrota, por Maria João Lopo de Carvalho.
Três romances portugueses que não podiam ser mais diferentes entre si — e é precisamente esse o ponto. Uma comédia luminosa sobre uma viúva de setenta e nove anos que se recusa a desaparecer, um livro breve e doloroso sobre a morte de um pai, e um romance histórico que vai buscar à lenda a padeira de Aljubarrota. Riso, luto e mito, em português europeu e para Kindle.
E se eu morrer amanhã?
Filipa Fonseca Silva · Suma de Letras · 2023
Helena tem setenta e nove anos, vive sozinha com o gato e goza de uma saúde de ferro — até ao dia em que pega fogo à sala por acidente e é obrigada a mudar-se para casa da filha. É aí que deixa cair a bomba: tem uma vida sexual ativa. Muito ativa.
Filipa Fonseca Silva pega num tabu — a sexualidade das mulheres mais velhas — e transforma-o em comédia inteligente, sem nunca cair na caricatura. Por baixo do riso há uma reflexão séria sobre o que a sociedade espera (e nega) a uma mulher de quase oitenta anos. Lê-se depressa e fica a remoer muito depois.
O Meu Pai Voava
Tânia Ganho · Dom Quixote · 2024
«Desde que morreu, escrevo sem parar. Escrevo para recuperar o fulgor com que ele viveu.» É assim que se entra neste livro breve e intenso, em que uma filha escreve para não deixar partir de vez o pai que perdeu.
Tânia Ganho constrói o luto à conta-gotas, em frases trabalhadas, sem autocomiseração e sem pressa de consolar. São pouco mais de cem páginas que pesam o que pesam os grandes livros sobre a ausência. Para ler devagar, de preferência longe dos olhares.
A Padeira de Aljubarrota
Maria João Lopo de Carvalho · Oficina do Livro · 2013
Em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, uma mulher de força descomunal põe-se ao serviço da causa do reino e entra para a lenda: Brites de Almeida, a padeira de Aljubarrota. É à volta desta figura — meio história, meio mito — que Maria João Lopo de Carvalho arma o seu romance.
As intrigas da corte e os passos hesitantes da rainha-infanta D. Beatriz cruzam-se com o destino da padeira, num tempo em que a independência de Portugal pendia por um fio. Romance histórico de leitura acessível, é boa porta de entrada para quem gosta de ficção ancorada na nossa História.
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